Instituição trabalha para reduzir tempo de adoção de crianças

Nos abrigos, crianças esperam a tão sonhada volta para casa ou um novo lar para acolhê-las. Fora deles tramita a papelada para tornar isso possível, na tentativa de reunir famílias desagregadas ou dar a casais interessados em adoção a chance de ter um filho. Fazer a ponte entre esses lados, dando uma solução concreta, é a missão de um grupo de Belo Horizonte, unido para acabar com a burocracia e acelerar processos que podem se arrastar por anos a fio. Os integrantes do Benquerer, formado por 12 profissionais de diversas áreas, se uniram para preparar casais dispostos a ser pais, antes, durante e depois da adoção. E com um diferencial em relação a outros grupos que trabalham nessa linha: uma atuação no campo jurídico, que leva para a mesa de magistrados documentos com uma linguagem mais detalhada, facilitando a compreensão da real situação dos meninos.

Os relatórios são feitos a partir de visitas a abrigos e conversas com assistentes sociais e outros responsáveis por esses locais. Nessas ocasiões, eles tentam identificar os pontos não esclarecidos na ficha de cada criança – principalmente no que diz respeito às informações familiares –, procurar respostas, aparar arestas e escrever, de forma jurídica, um documento mais completo, facilitando o entendimento dos juízes responsáveis pelos casos. A partir daí, o que se busca é definir se a família tem condição e interesse em ficar com a criança ou se ela deve ser encaminhada para adoção.

“Trazemos um olhar mais específico para o Judiciário, multidisciplinar, objetivando diminuir o tempo de abrigamento dessas crianças”, afirma a presidente do Benquerer, Renata Machado Nogueira Soares, secretária-executiva da Comissão de Proteção à Infância e Adolescência da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG). “Se se esperar muito, a criança perde o prazo para ser adotada. A realidade nunca chega à mesa do juiz. São, muitas vezes, documentos incompletos, porque os profissionais que lidam direto com eles não têm coragem de dizer o que ocorre com esse menino”, afirma.

Preferência

A ideia do grupo é visitar todas as comarcas do estado, olhando abrigo por abrigo e fazendo o levantamento da situação. A vice-presidente da Comissão de Proteção à Infância e Adolescência, Luíza Helena Simonetti Xavier, explica que os meninos só vão para esses lares com ordem judicial, quando estão em situação de risco e nenhum familiar se prontifica a cuidar. “Queremos humanizar o processo, trazendo a voz e a carinha da criança para dentro dele”, diz Luíza Helena. Ela acrescenta que o processo de adoção demora no mínimo um ano, com um agravante: “A preferência ainda é por menina, branca, de até dois anos de idade”, conta.

Por causa disso, o Benquerer se propõe ainda a quebrar estigmas. “Divulgamos ideias e tentamos acabar com essas preferências, mostrando aos casais a realidade. Temos de querer o que é possível, e quando isso ocorre, passa-se a poder realizar os sonhos”, ressalta Renata Soares. Dados do cadastro Nacional de Adoção, do Conselho Nacional de Justiça, mostram que, apenas em BH, há 88 crianças na fila da adoção, número considerado bem abaixo da realidade.

Minas Gerais é o estado brasileiro com o maior número de crianças abrigadas. Segundo a advogada, isso não se deve propriamente à política social, mas por causa do número de municípios e o fato de nem todos eles terem varas de família. “As crianças vão ficando. A maioria daqueles que vão para uma nova família são bebês, que chegam diretamente aos programas de adoção, quando são encontrados em via pública ou entregues de maneira voluntária”, conta.

Tira-dúvidas

O Benquerer fará reunião aberta ao público em 6 de agosto, na Rua São Paulo, 2.198, no Bairro de Lourdes, a partir das 19h. No encontro, serão tiradas dúvidas de casais interessados em adotar ou que já concluíram o processo, acadêmicos e todos os interessados em discutir o assunto. Informações: contato@benquerer.com.br. Em novembro, Santa Luzia, na região metropolitana, recebe o 3º Encontro Estadual da Adoção em Minas Gerais, organizado pelo Grupo de Apoio Doce Adoção (Gada). São esperadas cerca de 400 pessoas. Informações: www.grupogada.org.br.

 

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