Estado deixa costureira sem remédio

A costureira Eliana Oliveira de Abreu, 53 anos, está dependendo da boa vontade do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Rio Preto para poder continuar o tratamento contra a leucemia. Há três anos ela conseguiu uma determinação judicial que obriga o Estado a fornecer o remédio Tasigna, mas 2013 mal começou e o produto já está em falta.

Ela foi ontem até a sede do DRS – vinculado à Secretaria de Estado da Saúde – e foi informada de que a medicação não estava disponível. Eliana toma quatro compimidos por dia, sendo dois de manhã e dois à tarde. A cada 28 dias ela precisa repor seu estoque. Se fosse para comprar, a costureira chegaria a gastar R$ 9,2 mil mensalmente.

A mulher afirma que essa não é a primeira vez que não encontra o Tasigna. “Na outra vez fiquei esperando no departamento até arrumarem o remédio. É uma falta de vergonha o Estado deixar faltar. Isso acontece porque não é com a família deles. Só eu sei o que sinto quando não tomo o remédio, minha doença só piora”, desabafa a costureira.

Indignada com a situação, Eliana chegou a registrar um boletim de ocorrência e procurar ajuda no Fórum, com o objetivo de conseguir resolver o problema ainda ontem. De acordo com o promotor André Luiz Nogueira da Cunha, foi encaminhado um ofício para o DRS a fim de cobrar o cumprimento da ordem judicial. “Funcionários disseram que nesta sexta (hoje) vão entrar em contato com a moradora para entregar o remédio. Fora o ofício, não podemos fazer mais nada.”

Para o advogado do Grupo de Amparo ao Doente de Aids (Gada) e representante de Eliana, Neimar Leonardo dos Santos, a falta do medicamento também é culpa do poder Judiciário. “Era necessário que a Justiça de Rio Preto cobrasse a multa diária por atraso estipulada por lei, no valor de R$ 500. Se necessário, conduzir os representantes do DRS à delegacia. É assim que funciona nos outros municípios e a falta de medicação é quase nula”, afirma Santos.

O Departamento Regional de Saúde informou que o medicamento Tasigna não faz parte da lista padronizada pelo governo federal para distribuição na rede pública. Devido ao período de férias coletivas, a empresa fornecedora atrasou a entrega do produto. O DRS, porém, informou que já remanejou o item de outra farmácia do Estado. A situação estará normalizada, diz, já no início da próxima semana e a paciente foi avisada.

 

Fonte: http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Noticias/Saude/122072,,Estado+deixa+costureira+sem+remedio.aspx

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